Motores Cosworth DFV – V8 (2ª parte)

03Hoje daremos continuidade à história dos motores Cosworth na Fórmula Um. Para quem ainda não leu a primeira parte, aqui esta o link.

No final da década de 70 e início dos anos 80, o motor Ford-Cosworth já não conseguia mais fazer frente aos motores turbo, que foram introduzidos pela Renault na década de 70.

Com isso, a Cosworth começou a estudar algumas modificações no motor DFV, e em 1983 foi lançada uma nova versão, o DFY. Os cabeçotes foram reformulados e os dutos de admissão e escape foram ampliados. Além disso, um novo coletor de admissão, feito de magnésio, foi introduzido. Essas mudanças reduziram o peso do motor a 307 kg, produzindo 520 cv.

rosberg 1983 williamsRosberg e sua Williams em 1983

Os primeiros motores com essa nova configuração foram entregues para as equipes McLaren e Willians, em 1983, para o GP francês daquele ano.

A versão DFY passou por outras alterações, como um novo desenho da cabeça do cilindro, diminuindo o ângulo em que o motor era construido. Um novo virabrequim foi produzido e pistões de alumínio alargados também foram utilizados, diminuindo ainda mais o peso do motor.  A curva de potência do motor já tinha sido completamente alterada, com potência utilizável disponíveis a partir de 6000 a 11.300 rpm. Sete destes novos motores foram construídos para a Tyrrell.

Neste ponto da história temos um ponto controverso. Uns dizem que o motor ainda tinha a denominação DFV, outros achavam que era DFY. Por isso muitos creditam à Alboreto a última vitória de um DFV e outros falam que foi a única vitória de um DFY. O GP em questão é o de Detroit, de 1983, citado na primeira parte da história.

Porém, nenhumas dessas atualizações deram ao motor capacidade de derrotar os motores turbos. Por causa disso, o motor DFY foi utilizado somente por equipes pequenas até o ano 1985, quando a Cosworth começou a desenvolver o projeto do motor V6 turbo, juntamente com a Ford.

Bellof_Tyrrell_012_1984_Dallas_F1Bellof e sua Tyrrell em 1984

O renascimento

Porém, no final da temporada de 1986, a FIA (ou ainda era FISA?) anunciou que os motores turbo seriam banidos da F1 depois da temporada de 1988. Também foi introduzido em 1987 o campeonato Jim Clark Cup e o Troféo Colin Chapman, que foi desenvolvido para as equipes que corriam com os motores aspirados naturalmente.

Com isso, a Cosworth foi forçada a reativar o projeto dos motores aspirados, resultando na versão DFZ, uma versão atualizada do projeto DFY. Houve um aumento na capacidade volumétrica do motor, passando para 3,5 litros. Como resultado, o motor rendia cerca de 560cv.

Claro que ele não era nenhuma maravilha, até porque eles tinham também seu motor turbo com a Ford. O projeto DFZ, na verdade, era uma medida temporária para a Cosworth se adaptar a nova realidade que a F1 seria a partir de 89, e foi concebido justamente para atender a demanda das equipes pequenas. March, AGS, Coloni, Lola e Larrousse utilizaram os motores DFZ.

Jonathan Palmer acabou vencendo o Jim Clark Cup e a Tyrrell ficou com o Troféo Colin Chapman. O motor foi usado durante toda as temporadas de 87 e 88.

f1_198716_jonathan_palmer_01Palmer e sua Tyrrell 1987

benetto nanini 1989Em 1987 a equipe Benetton operava juntamente com a Ford e eles queriam entrar de vez na briga pelo campeonato. Como o motor DFZ era muito ruim em comparação aos motores Honda e Renault e o turbo seria banido, o DFZ passou por profundas modificações entre 1988 e 1989, nascendo assim a versão DFR. Superficialmente, a versão DFR manteve somente o design e a arquitetura de construção do motor, 90° V8. O resto todo era novo. Dessa forma, a Benetton acabou sendo a grande beneficiada,  recebeu a versão do motor em meados de 1989 e acabou vencendo o GP do Japão daquele ano, com Alessandro Nanini. A Benetton manteve um contrato de fidelidade durante os anos de 89 e 90.

O motor ficou na F1 até o ano de 1991, quando os novos motores de cabeçote móvel e válvulas pneumáticas, com uma capacidade maior de rotação, deu fim aos motores DFR. A última corrida foi o GP da austrália daquele ano, com as equipes Footwork, Fondmetal, Larrousse, entre outras.

gianni Morbidelli minardiGianni Morbidelli e sua Minardi em 1990.

Bom, por hoje encerramos a segunda parte da história da Cosworth e a série DFV e suas variações. Mais para frente falaremos dos motores Ford-Cosworth que foram utilizados na década de 90.

Espero que tenham gostado das informações desta segunda parte.

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2 respostas para Motores Cosworth DFV – V8 (2ª parte)

  1. ZE´CLAUDIO MC TUAREGUES disse:

    muito boa a materia sobre o lendario motor ford-cosworth.

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  2. Pipe disse:

    Ótima história cara, como sempre. Não conhecia muito desses motores, mas deu pra ter uma noção boa agora pelo menos da década de 80.

    Valeu, abraço.

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