Mulheres ao Volante: Jutta Kleinschmidt

Na nossa seção feminina de hoje falaremos sobre a alemã Jutta Kleinschmidt, que simplesmente foi a única mulher até hoje a ganhar o famoso Paris-Dakar. Apelidada pelos amigos e companheiros de rali de “Raio de Sol”, “Domadora do Deserto” e “Alemã Voadora”, Jutta Kleischmidt é tudo isso e mais um pouco.

Jutta nasceu no dia 29 de agosto de 1962, na cidade de Colónia, na Alemanha. Formada em física e engenharia na Isny Polytech em 1986, Jutta foi trabalhar na BMW. Porém, Jutta tinha outra paixão: o motociclismo off-road.

E foi por causa dessa paixão pelo esporte que em 1987 a alemã decidiu participar pela primeira vez de uma prova de longa distância, o Rali Paris-Dakar, uma das mais tradicionais e duras provas off-road do planeta, em 1987, por conta própria, com uma moto BMW. Como tomou gosto pela coisa, ela ainda participou do Rali dos Faraós no mesmo ano.

Os planos de Jutta sempre foi querer participar das provas, nunca em querer ganhar. Como ela corria por conta própria, ela tinha que fazer a manutenção do seu equipamento em seu próprio apartamento. Ao invés de pratos e talheres em cima da pia, ela tinha cabeçotes, juntas e outras partes da sua moto. Houve uma vez que ela montou toda a sua moto dentro de casa, mas não conseguia passar a moto pela porta. Teve que desmontar parcialmente o motor para que pudesse tirá-la de lá.

Jutta permaneceu competindo em duas rodas até 1992, quando venceu entre as mulheres e conseguiu ficar em 23º lugar na geral. Estava na hora de largar seu trabalho na fábrica da BMW e encarar novos desafios em sua nova carreira.

Em 1993 foi a primeira participação de Jutta na categoria Carros, como navegadora de Jean-Louis Schlesser a bordo de um buggy. Jutta passou a pilotar carros em 1994, no rali da Tunísia. Estava nascendo a maior piloto do Paris-Dakar. Em 1995 ela era piloto da equipe  Sven Quandt Mitsubishi e conseguiu um 12º na geral entre os carros.

Em 1996 ela volta a competir de buggy, na equipe de Jean-Louis Schlesser, que era seu namorado na época. E em 1997 ela consegue seu primeiro feito: foi a primeira mulher a vencer uma etapa do rali. Ficou em 5º lugar na geral. Em 1998 o ano não foi muito bom para ela, ficando apenas na 24ª posição.

Mas em 1999 ela deu a volta por cima, ficando com o terceiro lugar na geral, com um Mitsubishi Pajero Evolution. foi a primeira mulher do mundo  a ficar na liderança por três dias. Mas isso não foi o maior sucesso.

No ano 2000 ela teve um dos seus melhores anos como piloto. Fez uma temporada completa no mundial de ralis de longa duração e ficou em quinto lugar no Dacar.

Em 2001 veio o seu maior feito. Jutta foi coadjuvante durante quase toda a competição – brilhou ao vencer a etapa de El Ghallaouiya, na Mauritânia. Enquanto o mundo estava de olho na briga do francês Jean-Louis Schlesser e do japonês Hiroshi Masuoka, a alemã foi acumulando boas colocações e ficou na espera de uma chance.

A oportunidade foi dada pelos mesmos Schlesser e Masuoka. No sábado, durante a penúltima etapa, o francês, que deveria ser o segundo a largar bem atrás de Masuoka, resolveu sair antes da hora. A manobra e um lance de azar do japonês, que saiu da pista e perdeu muito tempo com problemas na roda, abriram caminho para Schlesser acelerar e vencer a etapa – com Jutta em segundo – e assumir a liderança com folga.

Ele tinha mais de 40min de vantagem sobre a alemã e só precisaria largar no domingo para conquistar o tricampeonato. Mas a TSO, organizadora do Dakar, barrou o sonho de Schlesser com a penalização de 1 hora divulgada na noite de sabádo. O campeão de 1999/2000 tentou recorrer, em vão. A liderança automaticamente passou a Jutta. Com apenas um quinto lugar na última especial, ela entrou para a história.

Em 15 de Maio 2002 começou um novo capítulo na sua carreira, assinando  um contrato de três anos com a Volkswagen. Foi uma ano em que serviu para desenvolve e conhecer todo o potencial do carro, já que era o ano de estreia da Volks em ralis de longa duração. Em 2003 ela volta a arrebentar e fica em segundo na classe de veículos movido a diesel e oitavo na geral. resultado muito bom, já que era a primeira participação da Volks no Dakar.

No Rali Dakar  de 2005 ela fica em terceiro lugar. Foi  o quarto pódio dela no Dakar, embora fosse um resultado histórico para a Volkswagen. Pela primeira vez nos 27 anos de história do rali um carro diesel chegou ao pódio.

Quando seu contrato com a Volks acaba em 2006, ela assina com a equipe X-Raid, que contava com a ajuda da BMW Motoren GmbH, que desenvolvia o BMW X5 e mais tarde no CC X3 movido a diesel. De 2007 para cá ela não tem conseguido bons resultados, mas é uma figura certa no Dakar.

Jutta em 2007 com o BMW X3

A passagem de Jutta Kleinschmidt pelo Dakar é sem dúvida a maior demonstração de quanto ela é competitiva no mundo da velocidade. Além do Dakar, ela participou de várias competições de ralis, obtendo respeito e reconhecimento mundial pelas suas vitórias. Além disso, ela fez história em outras competições. A mais conhecida é as 24 Horas de Nürburgring, aonde venceu e conseguiu mais alguns pódios.

Corridinha de clássicos

E ela nem queria ganhar, só queria participar e vencer os desafios.

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2 respostas para Mulheres ao Volante: Jutta Kleinschmidt

  1. Pipe disse:

    Muito boa história, como sempre. Não conhecia não. Legal ver uma mulher conquistar tantas coisas no Rally.
    Agora, qual aquele carro da última foto, um Subaru o que? Achei maneiro. A pintura parece aquela clássica da Rothmans e fiquei curioso.
    Falou, abraço.

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