Equipes que não fizeram Sucesso: Life Racing Egines – 4ª Parte

Na última parte da história, eu estava contando como foi a fase da Life na América do Norte. E como vimos, foi tão catastrófica quanto as anteriores. Bruno Giacomelli (ou Jack O’Malley, se preferir) bem que tentava fazer algumas voltas, mas o carro sempre quebrava. Porém, antes mesmo de desembarcar para a etapa do Canadá, o dono da equipe, Ernesto Vita, já havia percebido que o seu revolucionário motor w12 era um fracasso. De tantos defeitos e erros de projeto, o motor era um dos principais vilões da novela. Por causa disso, Vita já havia entrado em negociação com a Judd para receber seus fraquinhos motores V8. Porém, essa negociação estava se arrastando. A Judd relutava em fornecer seus motores e não restava outra alternativa a equipe: continuar rodando com os terríveis w12. De volta ao velho continente, a F1 desembarcou em Paul Ricard. Mais uma fez a Life superou as expectativas e o motor simplesmente morre quando o carro estava saindo para a pista. Nem a volta de aquecimento eles deram. Um feito inalcançado até hoje. Na etapa seguinte, em Silverstone, houve um raio de esperança, assim como aconteceu em Mônaco. Antes do motor quebrar novamente, Giacomelli consegue dar cinco voltas pelo circuito. Eles conseguem dar uma guaribada no motor e Bruno volta para a pista. A sua melhor volta foi em 1:25.947, 18 segundos mais lento que Mansel, o pole do dia. Se servia de consolo eu não sei, mas eles foram apenas 6 segundos mais lento que a horrível Coloni-Subaru de Gachot. Só que a realidade era cruel: os carros da Fórmula 3, que também estavam competindo no mesmo fim-de-semana, foram apenas três segundos mais lentos que o pole. Ainda assim, foi o melhor desempenho da Life num final de semana. Life em Silverstone: foi o melhor desempenho apresentado No GP da Alemanha, que foi disputado em Hockenheim, ficou claro o quanto a Life era lenta. Foi constatado que o carro era cerca de 64 km/h mais lento que qualquer outro carro nas longas retas do circuito. Estimativas sugeriam que o W12 da Life tinha aproximadamente 375hp, cerca da metade da potência dos motores Honda que equipavam a McLaren. E nada do acordo com a Judd sair. Com uma disparidade de força tão grande, Bruno Giacomelli foi cerca de 20 segundos mais lento que o último colocado, Claudio Langes, que tentava andar com uma EuroBrun. Na Alemanha ficou evidente a disparidade de potência entre a Life e as outras equipes. Já na Hungria, a esperança era de que o medíocre desempenho fosse mascarado pelo desenho travado do circuito. A esperança foi embora quando Bruno tomou mais de 15 segundos do seu arqui-rival Claudio Langes, da combalida EuroBrun. Na Hungria, mais um vexame. Na Bélgica, um inusitado problema atormentava a equipe: O sistema de ar comprimido que aciona o motor estava congelado e o carro perde muito tempo no box. Mas parece que o problema mexeu com o brio de Bruno, que conseguiu dar 3 voltas consecutivas! Claro que não foi nada competitivo e ficou 18 segundos atrás da EuroBrun e o motor mais uma fez abriu o bico. Em Spa, apenas três voltas. Na Itália, no GP caseiro da equipe, era melhor não ter entrado na pista, pois foram 20 segundos mais lento que o último colocado, além de ter dado somente duas voltas antes do motor explodir. A última aparição do motor W12 foi em Monza. Porém, era grande a especulação de que Ernesto Vita havia conseguido um acerto com a Judd. Além disso, a equipe contava com o apoio da patrocinadora, a PIC, que prometeu investimentos na ordem de 20 milhões de dólares, fora o fornecimento da tecnologia militar soviética. A Life fez um teste com o carro com o novo motor. Mas aonde esta  a cobertura? A equipe até que mudou de nome, passou ser Life-PIC, mas Ernesto Vita nunca viu o dinheiro russo, muito menos ajuda tecnológica. Sem ajuda tecnológica e sem dinheiro, mas com um motor novo, restou a Vita usar os antigos chassis da First, que foram projetados para receber os fraquinhos motores Judd. Mas como estamos falando da Life… Com o motor no lugar, eles descobriram que a cobertura do motor não se encaixava. Deram um “jeitinho” na tampa e foram para Estoril, aonde aconteceria a etapa portuguesa do campeonato. Mesmo que a equipe tenha feito um monumental esforço para colocar o carro na pista, tudo se mostrou em vão. Giacomelli conseguiu apenas dar meia volta com o carro antes da tampa do motor voar pelos ares! Além da tampa, o carro apresentou uma novidade: uma pane elétrica. Com tantos problemas, Giacomelli sequer marcou tempo. Conseguiram tirar uma foto do carro em Portugal Na etapa seguinte, no circuito espanhol de Jerez, o carro consegue dar somente duas voltas antes do motor quebrar. O motor que a Judd forneceu para a Life era usado, bem usado. A volta que foi conometrada mostrou que o carro era realmente horroroso. Foi quase 35 segundos mais lento que o pole. Sabiamente, Ernesto Vita decide abandonar a F1 e a Life não participou das duas últimas etapas do campeonato. Nunca mais ninguém ouviu falar da Life. O carro da Life ainda esta em atividade em eventos pela Europa. O sistema de injeção e a fraca queima de combustível, aliado com um esquema elétrico deficiente, quebrava o motor em 2 ou 3 voltas. Agora, esses defeitos foram sanados, e de 375 hp de outrora, hoje o o motor rende quase o mesmo que os motores padrão de época, ou seja, cerca de 600cv. Com os problemas do motor resolvido, será que a história seria diferente? Abraços

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3 respostas para Equipes que não fizeram Sucesso: Life Racing Egines – 4ª Parte

  1. Fábio Viana Ribeiro disse:

    Boa tarde!
    Sensacional suas matérias sobre “equipes que não deram certo”! Uma pena não poder continuar a leitura. Explico: fiz na última sexta-feira uma cirurgia de hérnia umbilical e não posso rir muito em função do esforço que isso causa na região da cirurgia. Já li a matéria sobre a Subaru-Coloni e agora li a da Life. Parabéns!

    Abraço,

    Fábio Viana.

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    • Que bom que gostou Fábio. Pode ler os outros artigos (que não fazem parte da seção) que sua recuperação não será prejudicada.

      Ou melhor, é bom tomar cuidado aqui no blog porque sempre tem uma palhaçada ou outra. Os artigos mais longos estão meio que parados por falta de tempo, mas logo que o meu dia passar a ter 40 horas eu volto a escrever.

      Muito obrigado pelo elogio e seja bem vindo ao circulo de amigos.

      Abraços

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  2. Pipe disse:

    Triste e previsível fim da equipe. Achei que o dono ainda demorou demais pra ver que não ia a lugar nenhum com esse carro, literalmente, rs. Pena por todo o esforço da equipe e do piloto aposentado que deve ter se arrependido da furada em que entrou.
    Mas é legal ver o carro rodando hoje tudo o que não rodou na época original e sem dar defeito.
    Sem dúvida, sem tantos problemas a história seria diferente, poderiam lutar pelo último lugar com mais honestidade ao menos.
    Ótima mini-série cara, que venha a próxima equipe infeliz na F1.
    Abraço.

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