24 Horas de Le Mans: o drama francês e a vitória da consistência

“Devagar e sempre!” ou então “devagar se chega lá!” são ditados populares que devem ter sido levados ao pé da letra pelo pessoal da Audi. Com extrema consistência e uma solidez invejável na tocada, os pilotos da marca alemã ocuparam os três lugares mais altos do pódio. O trio formado por Timo Bernhard, Romain Dumas e Mike Rockenfeller foram os grandes vencedores da prova, seguido pelo trio Marcel Faessler/Andre Lotterer/Benoit Treluy. Em terceiro ficou o trio indo Capello/Tom Kristensen/Allan McNish.

Foi a 9ª vitória da Audi somente nesta década. A Peugeot venceu no ano passado e a Bentley, que usava um projeto do mesmo grupo da Audi, venceu em 2003. Além disso, na disputa entre os carros movidos à diesel, em 4 corridas, a Audi venceu 3.

Já a Peugeot aprendeu que nem sempre o carro mais rápido é o melhor e que será o vencedor. E a montadora francesa aprendeu isso da pior maneira possível, já que seus carros pecaram na confiabilidade, fator extremamente importante em uma prova de 24 horas de duração.

A prova

Largando na pole, Pedro Lamy manteve a liderança da prova com certa folga até a volta 38, quando teve que abandonar a corrida com problemas na suspensão. Dessa forma, a liderança ficou com o trio formado por Alexander Wurz/Marc Gené/Anthony Davidson, que ditavam um forte ritmo para a prova. Na segunda posição vinha o trio formado por Stéphane Sarrazin/Franck Montagny/Nicolas Minassian, também da Peugeot.

Na LMP2, a liderança continuava nas mãos de Marco Werner da equipe Highcroft. Enquanto isso, na GT1, quem liderava era o trio formado por Romain Grosjean, Thomas Mutsch e Jonathan Hirschi, com o Ford GT da Matech. Pierre Kaffer, que divide a Ferrari F430 com Jaime Melo e Gianmaria Bruni, também lideravam na GT2.

O trio da Peugeot ditava o forte ritmo da prova.

Marco Werner, da equipe Highcroft.

A Ferrari da Risi liderava na GT2.

Após nove horas de prova, o Peugeot de Gené teve problemas no alternador, obrigando a equipe a fazer um trabalho frenético nos pits. Com o atraso, Gené perdeu três voltas e retornou à pista em sétimo. Quem assumiu a ponta foi o outro 908, pilotado por Sarrazin/Montagny/Minassiann, que ditavam forte ritmo naquele momento.

Em segundo já surgia o primeiro Audi, pilotado por Bernhard/Dumas/Rockenfeller, mas que estavam com uma desvantagem de duas voltas para os primeiros colocados, que imprimiam forte ritmo.

Já a equipe Strakka havia assumido a primeira posição na classe LMP2. Jonny Kane se aproveitou da parada mais longa do time de Marco Werner e David Brabham para tomar o primeiro lugar. Thomas Mutsch, com o Ford GT de número 60, liderava na categoria GT1. Neste momento, a equipe de Jaime Melo já havia abandonado a corrida, na volta de número 116, por problemas no cambio da Ferrari F430.

Vale o registro: a extraordinária luta entre Jaime Mello, no carro italiano, e Oliver Gavin, no Corvette, a protagonizaram alguns dos melhores momentos da corrida.

O Audi pilotado por Bernhard/Dumas/Rockenfeller já ocupava a segunda posição.

Na LMP2, Jonny Kane, da equipe Strakka, havia assumido a ponta.

O Ford GT da Matech liderava na GT1, porém eles abandonaram na volta de nº 171.

Após 13 horas de prova, a Audi foi quem começou a apertar seu ritmo, chegando a ameaçar a liderança da Peugeot na prova. Porém, depois de longas paradas nos pits, a Audi reduziu seu ritmo e o carro de #2 da Peugeot liderava a prova com uma volta de diferença para o trio da Audi. Benoit Treluyer, do Audi de #8 estava em terceiro, seguido pelo espanhol Marc Gené, a bordo do Peugeot #1. Dindo Capello, também da montadora das quatro argolas, seguia na quinta posição. A Aston Martin estava em sétimo, ditando o ritmo entre os carros movidos a gasolina.

O melhor com gasolina era, até o momento, o Aston Martin. (valeu Lui!)

Na P2, a equipe Strakka, com o carro de #42, permanecia na frente, com duas voltas de diferença para David Brabham, da Highcroft. Na Gt1 quem liderava era Gabriele Gardel, da equipe Labre e na GT2, a liderança estava com Olivier Beretta, piloto do Corvette #64.

O Saleen da Sabre já liderava na GT1.

Depois de uma ótima batalha com a Ferrari da Risi, a Corvette liderava a prova com certa folga na GT2.

Porém, na 16ª hora de prova, o trio formado por Franck Montagny/Stephane Sarrazin/Nicolas Minassian acabaram abandonando a prova, depois que o seu carro teve problemas, acredito eu, no motor. Desta forma, a liderança caiu no colo do Audi de #9, pilotado pelo trio Mike Rockenfeller, Timo Bernhard e Romain Dumas, que mantiveram o bom ritmo até a bandeirada final.

O lado direito da traseira do Peugeot chegou a pegar fogo. Deu bastante trabalho para o pessoal de limpeza, pois a quantidade de óleo na pista era grande.

Para piorar a situação da Peugeot, o trio Wurz/Gené/Davidson também abadonaram com problemas de motor. Dessa forma, o trio do Audi de #8 assumiu a segunda posição e ficou lá até o final da corrida.

A vitória da LMP2 ficou com o trio da Strakka, formado por Jonny Kane, Nick Leventis e Danny Watts. Na GT2, a vitória ficou com o Porsche da Felbermayr-Proton, do trio Marc Lieb, Lietz Richard Wolf Henzler. É bem verdade que eles foram beneficiados pela quebra da Ferrari da equipe Risi e dos dois Corvettes. Mas esse fatores não tiram o brilho da conquista, uma vez que eles terminaram com uma vantagem de 7 voltas para o primeiro colocado da GT1, Roland Berville, Julien e Gabriele Gardel, com o Saleen S7R.

A festa da Audi foi completa.

O Porsche da equipe Felbermayr-Proton ficou com a vitória entre os carros de turismo.

Augusto Farfus Junior terminou a corrida na 19ª posição na geral, 6º na GT2.

Foi uma boa prova para a BMW e para Augusto Farfus Júnior, que estão se adaptando às provas de endurance.

Abraços

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4 respostas para 24 Horas de Le Mans: o drama francês e a vitória da consistência

  1. Pipe disse:

    O Leandro manda bem nas fotos mesmo, cada uma mais maneira do que a outra. Também salvo algumas em meu arquivo pessoal.
    Mas enfim, a corrida já acabou há um tempo, mas fica aqui registrada minha opinião que foi muito boa. A primeira vez que acompanho “de perto” e não me arrependi, valeu muito. Pena pela Peugeot, mereciam ao menos terminar com algum carro, mas ficou mais do que provado que em endurance vale a resistência, e não a velocidade. Agora é tentar se recompor e dar o troco na próxima.
    Valeu cara, abraço.

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  2. Lui George disse:

    Leandro, só corrigindo, o melhor protótipo movido a gasolina não foi o Lola Aston Martin “do James Bond”(afinal o seu número é 007). O melhor protótipo a gasolina foi o Oreca 01 com motor AIM do Team Oreca que terminou na 4ª colocação. O bólido da marca inglesa na verdade ocupou a terceira colocação entre os protótipos movidos a gasolina pois o LMP2 da Strakka Racing, um HPD ARX-01c terminou na 5ª posição na classificação geral, uma posição a frente do Aston Martin nº007.
    Aproveito o espaço para parabeniza-lo por escolher lindas fotos para postar no blog, não é raro eu usar uma foto que eu encontrei aqui como fundo de tela do meu computador.

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