Seção Retrô Fittipaldi F1 – 2ª e última parte

Como vimos na minha última coluna, a história da Fittipaldi F1 começou de forma simples, apresentaram altos e baixos, contavam com um orçamento baixo, mas com um desempenho superior se compararmos com outras equipes da época.

Depois da boa temporada de 1978 os irmãos Emerson e Wilsinho Fittipaldi apresentaram à imprensa especializada seu mais novo projeto: o modelo F-6. O modelo custou 250 mil dólares e foi concebido e construído durante 8 meses em segredo absoluto . Quando foi apresentado, tornou-se o centro das atenções da mídia especializada. E o motivo de tanto barulho foi a participação de Ralph Bellamy, ex- projetista da Lotus e que havia participado da criação do famoso Lotus 78, o primeiro carro asa de sucesso da F1. Na teoria, o F-6 seria uma versão melhorada do Lotus 78. E o carro, pelo menos na teoria, era realmente brilhante.

GP da África do Sul.

Como podemos observar na foto, o carro apresentava linhas arrojadas, as suspensões eram descobertas, os espelhos retrovisores embutidos no cockpit e a carenagem cobrindo totalmente o motor e o câmbio. Um carro muito bonito que foi um verdadeiro fracasso.

Nos primeiros testes com o carro, foi verificado que havia alguma coisa errada. Com sérios problemas no projeto, o F6 retornou para a prancheta e a equipe foi obrigada a usar o modelo do ano anterior , totalmente defasado em relação aos projetos das outras equipes. O F-6 só retorna às pistas quatro meses depois, rebatizado de F-6A.

Mesmo passando pela revisão de projeto, o carro se mostrou muito ruim e a equipe não conseguiu repetir o mesmo rendimento da temporada passada. Anos depois, Wilsinho definiu o episódio com apenas uma frase: “O F-6 foi a nossa cruz”.

Outro modelo que eu acho lindo.

GP da Inglaterra

Os resultados obtidos foram:

6º – GP Argentina – Emerson Fittipaldi

11º – GP Brasil – Emerson Fittipaldi

13º – GP África do Sul – Emerson Fittipaldi

11º – GP Espanha – Emerson Fittipaldi

9º – GP Bélgica – Emerson Fittipaldi

12º – GP Inglaterra – Emerson Fittipaldi

8º – GP Itália – Emerson Fittipaldi

8º – GP Canadá – Emerson Fittipaldi

7º – GP Estados Unidos – Emerson Fittipaldi

** Neste mesmo ano, Alex Ribeiro entrou para equipe nas 2 últimas etapas, Canadá e USA, mas não conseguiu classificar-se. Ele disputou a corrida comemorativa de inauguração do Autódromo Dino Ferrari em Imola, não concluindo a corrida.

Mesmo tendo uma temporada pífia, conquistando apenas um único ponto, ficou em 12º lugar entre os construtores, melhor que as famosas Alfa Romeo e Brabham.

Depois do fraco rendimento da equipe durante a temporada, a imprensa deu início a um processo difamatório da equipe, que culminou com a perda do principal patrocinador, a Copersucar. Era o início do fim da Fittipaldi F1. “As pessoas diziam que o carro era muito fraquinho, que F-1 no Brasil era uma piada e que a equipe não servia para nada. E a equipe foi perdendo seus patrocinadores”, explica Luciano Pires, diretor de Comunicação Corporativa da Dana, fabricante de autopeças, responsável pela restauração do FD-01, primeiro modelo da equipe, vários anos após o encerramento da equipe.

Por causa dos seguidos fracassos em seus projetos, no final de 1979 os irmãos Fittipaldi acabam comprando o equipamento da equipe Wolf. Além disso, a Fittipaldi havia feito um contrato para o triênio 1980-1982 com a Skol, com um patrocínio anual de 1 milhão e meio de Dólares (o mais alto da história da equipe, mas ainda muito abaixo dos 7 milhões das equipes de ponta). Contrataram como segundo piloto o excelente finlandês Keke Rosberg. Era uma tentativa de recuperar o estrago feito no ano anterior.

Contando com o (bom) carro antigo da Wolf, que havia sido projetado pelo sólido projetista Harvey Postlethwaite, o início do ano foi animador. Logo de cara, a equipe consegue um pódio com Rosberg na Argentina. Conseguiram mais um pódio com Emerson, no GP dos EUA, mas o desempenho, no geral, foi apenas mediano.

Os resultados obtidos foram:

3º – GP Argentina – Keke Rosberg

9º – GP Brasil – Keke Rosberg

15º – GP Brasil – Emerson Fittipaldi

8º – GP África do Sul – Emerson Fittipaldi

3º – GP Estados Unidos – Emerson Fittipaldi

7º – GP Bélgica – Keke Rosberg

6º – GP Montreal – Emerson Fittipaldi

12º – GP Inglaterra – Emerson Fittipaldi

11º – GP Áustria – Emerson Fittipaldi

16º – GP Áustria – Keke Rosberg

5º – GP Itália – Keke Rosberg

9º – GP Canadá – Keke Rosberg

10º – GP Estados Unidos – Keke Rosberg

Uma das fotos mais postadas aqui no blog: Keke em Mônaco

Emerson também obteve um 5º lugar no GP da Espanha, mas que devido à “guerra política” entre FISA e FOCA não foi validada para o campeonato. A equipe ficou em 9º lugar no Mundial de Construtores, com 11 pontos conquistados, e ficou a frente das famosas Ferrari, Alfa Romeo, Ligier, Williams e Arrows.

Porém, os problemas internos estavam puxando a equipe para o buraco. Emerson resolve sair da categoria. Além disso, houve uma mudança na diretoria da Skol, que resolve quebrar o contrato com a equipe. Após muita negociação, a Fittipaldi conseguiu receber os valores referentes ao ano de 1981, mas não teriam que estampar a marca nos carros e a empresa estaria livre do contrato de 1982.

Para o ano 81, a equipe contou com Rosberg e Chico Serra. Mas com todos os problemas internos e a falta de recursos, a temporada foi muito ruim, sem nenhum ponto conquistado.

O melhores resultados obtidos foram:

7º – GP Estados Unidos – Chico Serra

9º – GP Brasil – Keke Rosberg

11º – GP Espanha – Chico Serra

12º – GP Espanha – Keke Rosberg

10º – GP Estados Unidos – Keke Rosberg

Keke também obteve um 4º lugar e Serra um 9º no GP da África do Sul, mas que devido à “guerra política” entre FISA e FOCA não foi validada para o campeonato.

Sem dinheiro e sem apoio dentro do próprio país, em 1982 a equipe acumulava uma série de dívidas. E isso refletia diretamente no desempenho nas pistas. Contando apenas com Chico Serra, a equipe até que conseguiu um sexto lugar no GP da Bélgica, mas as quebras durante a temporada eram constantes.

Os resultados foram:

17º – GP Brasil – Chico Serra

6º – GP Bélgica – Chico Serra

11º – GP Estados Unidos – Chico Serra

11º – GP Alemanha – Chico Serra

7º – GP Áustria – Chico Serra

11º – GP Itália – Chico Serra

A equipe abandona a F1 de forma perversa. Para saber como foi a quebra da Fittipaldi F1 eu deixo Wilson Fittipaldi contar como foi:

“(…)Mas aí tivemos de tomar a decisão, em agosto de 1982. Eu liguei para o Emerson e disse: “Não vai mais nenhum tostão”. E ele perguntou: “O que nós vamos fazer? Eu disse: “Fecha, não tem mais o que fazer, fecha!” Nós tivemos um prejuízo, em 1982, ele e eu, de US$ 7,5 milhões. Patrimônio nosso. Nós perdemos em 1982, se fosse hoje, algo em US$ 15 milhões e US$ 20 milhões. E aí nós paramos e aí o resto todos conhecem.(…)”

“(…)Tudo o que nós tínhamos juntado em 20, 25 anos da nossa vida, foi para o espaço. Perdemos tudo, tudo, tudo. Enfim, foi uma decisão difícil pelos dois lados. Primeiro, difícil de deixar de ter a equipe de Fórmula 1, que foi um negócio terrível para nós, pois era o nosso sonho e nós podíamos estar vivos até hoje. E, em segundo, difícil também a decisão porque, além de não termos mais a equipe de Fórmula 1, termos liquidado o nosso patrimônio inteiro. Então, simplesmente, nós saímos com a mão no bolso. Nem bolso quase tinha porque foram até as calças.(…)”

“(…) Entregamos a chave da sede de Reading para o agente do governo inglês. Lá dentro havia alguns monopostos, três caminhões, 14 motores Cosworth e todo o maquinário utilizado na fabricação e manutenção dos carros. Tudo isso foi vendido para pagar os fornecedores europeus”, lembra Wilsinho. “Mas o grosso da dívida estava no Brasil, onde havíamos feito empréstimos em bancos para tocar a equipe. Vendemos tudo o que tínhamos e, ainda assim, o dinheiro não bastou. Foram quatro anos terríveis, uma fase dificílima, mas conseguimos pagar tudo.(…)”

Espero que tenham curtido a história.

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