Equipes que não fizeram sucesso: Super Aguri – 1ª parte

As grandes séries estão de volta ao blog. Pelo menos é o que eu tenho em mente. E nada mais justo do que começar essa nova jornada com a equipe que pertenceu ao simpático piloto japonês Aguri Suzuki, que teve mais coração e coragem do que bom senso quando entrou na roubada de montar a equipe. Como a curta história da equipe é recente, peço a ajuda dos amigos para corrigir os erros que forem surgindo.

Tudo começou em 2005, quando o Srº Aguri começou o planejamento da equipe. Nessa fase contemporânea da Fórmula Um sabemos o quanto é difícil arrumar algum trocado e o japonês mostrou sua grande velocidade no ramo das negociações. Para isso, ele contou com a ajuda do outro super herói, o australiano Paul Stoddart, ex-dono da magnífica Minardi, e que havia comprado os carros da extinta Arrows, quando essa quebrou em 2002. Bastou dar uma guaribada nos antigos Arrows que o problema estava quase resolvido. Quase porque ainda faltavam motores e os 48 milhões necessários para a equipe existir aos olhos da FIA.

O carro da Super Aguri era baseado no Arrows de 2002.

Para ser mais exato, o dinheiro surgiu em setembro de 2005, seis meses depois da criação da equipe, e isso foi encorajador a ponto de Aguri dar entrada com a papelada na FIA, perto do prazo final de inscrição. Porém, os dirigentes da FIA sabiam que havia algo errado nisso tudo. Por acaso a equipe teria o dinheiro necessário para dar continuidade no mundial?

Foi quando a Honda surgiu para salvar a bagaça. A montadora japonesa tinha planos de montar uma equipe B no mundial, e com a ajuda da opinião pública japonesa, a Honda injetou o dinheiro necessário para que a FIA aceitasse o pedido de entrada da Super Aguri. Na verdade, a opinião pública japonesa queria era que o veloz Takuma Sato (muito bom piloto quando estava na equipe principal da Honda) continuasse a representar o país no mundial e isso fez com que a Honda colocasse o dinheiro e o piloto lá.

O SA05 na pré temporada

Com o primeiro piloto definido, era hora de colocar alguém para conduzir 2º carro da equipe. E parece que escolheram a esmo, pois colocaram o horroroso Yuji Ide.

Na estréia, no Bahrein, a realidade da fragilidade financeira da equipe era visível. Os carros da equipe era os mesmos Arrows de 2002. Batizado de SA05, o Arrows passou pelas devidas mudanças aerodinâmicas para que o carro se enquadrasse no regulamento de 2006. Além disso, a carroceria do carro era lisinha, branca e vermelha, e contava apenas com um punhado de pequenos patrocínios. Mas era bonito pelo menos.

O carro não era necessariamente ruim, ele era muito defasado aerodinamicamente. E isso fez com que os dois pilotos largassem no fundo do grid, com Sato tomando mais de 5 segundos para o pole, Michael Schumacher. O Ide não conta.

Entretanto, o carro de Sato conseguiu terminar a corrida. Ele andou 5 voltas a menos que o vencedor, mas terminou. Para um carro que havia dado 10 voltas durante a pré temporada é um feito e tanto. Foi melhor que a Hispania, Lotus e Virgin, só para termos uma idéia.

Takuma Sato e o SA05 no Bahrein

Já o seu companheiro de equipe, teve que abandonar a corrida por causa de uma quebra no motor. Além disso, Ide logo mostrou se cartão de visitas, atropelando um dos mecânicos durante os pits.

Porém, a história mostra que a equipe ia se acertando, aos trancos e barrancos, é verdade, mas ia. E a cada GP a evolução era constatada. Na Malásia, 2ª etapa da temporada, Sato apresentou um desempenho melhor e mais uma vez terminou a corrida. Novamente foi o último, mas apenas três voltas atrás. Na Austrália, os dois carros conseguiram cruzar a linha de chegada. Feito incrível, já que a equipe contava com Yuji Ide em um dos seus carros.

Takuma Sato na Malásia

Takuma Sato dando duro na Austrália

Yuji Ide dando um passeio na Australia

Ao logo dos quatro GP´s que disputou, o tal do Ide sempre foi uma negação. É considerado um dos piores pilotos que já andaram na categoria. Sempre escapava da pista, inclusive em pontos fáceis. Rodava constantemente, e isso causava certo desconforto nos outros pilotos, que ficavam expostos aos riscos que o japonês braço duro causava.

A gota d’água foi na 4ª etapa do mundial, disputada em Imola. Ainda na primeira volta, ele acerta Christijan Albers, da Midland (ou MF1, sei lá), causa um baita acidente. A paciência dos dirigentes da FIA acaba e a super licença do “piloto” é cassada. No mesmo GP, Takuma Sato acaba abandonando por problemas mecânicos.

Para o GP da Europa, realizado em Nürburgring, a equipe contava com o piloto Franck Montagny (que era o piloto de testes) no lugar de Ide, o que já era uma evolução. Mas mesmo assim, os dois carros da Aguri acabam abandonando.

Franck Montagny substituiu o tosco Ide.

A temporada ia passando, e os carros da Super Aguri ainda freqüentavam as últimas posições do grid de largada. Sempre se arrastando em pista, eram cerca de 5 segundos mais lentos por volta.  Além disso, quando conseguiam terminar as corridas, estavam sempre três ou quatro voltas atrás dos líderes.

No GP da França, Sakon Yamamoto (o pior de todos nesta temporada) assumiu o posto de segundo piloto. Também havia a expectativa do lançamento do novo carro, o SA06, mas o lançamento foi adiado para o próximo GP, que seria realizado na Alemanha.

O SA06 sendo apresentado.

Na verdade, o SA06 era o mesmo Arrows, só que bem mais modificado. Mesmo assim, o carro fez bonito na estréia, ao superarem os péssimos Midland no treino classificatório. Embora não tenham terminado a corrida, os tempos conquistados pela equipe eram dignos de nota.

O carro melhora bastante

Após uma seqüência de atuações decepcionantes, foi dado um grande shake-up no departamento técnico da equipe no final de setembro. Mark Preston foi promovido à função de Diretor Técnico. A jogada parece ter surtido efeito, pois a equipe encontrou um bom ritmo, além de aumentar a confiabilidade do equipamento. Sato agora capaz de desafiar a Toro Rosso.

O  ápice dessa evolução da equipe veio no GP do Brasil, com Takuma Sato cruzando a linha de chegada em 10º. Yamamoto também não fez feio e, mesmo terminando a corrida em 16º lugar, ele fez a sétima volta mais rápida da corrida.

A melhor colocação da equipe na temporada de 2006 foi o décimo lugar em Interlagos.

Outro dia eu conto como terminou a história.

Abraços



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