Qual é o limite?

Incrível a capacidade do ser humano. A capacidade de se adaptar às necessidades do meio, seja ela sobrevivência, seja para segurar o emprego ou até mesmo a vida. Essa capacidade é que nos fizeram ser soberanos na Terra, ser acima do bem e do mal, de dominarmos e procriarmos  à vontade no mundo.

Da mesma forma que tivemos essa capacidade, também tivemos a capacidade de nos conectarmos. Sabemos quase que instantaneamente o que acontece no outro lado do planeta. Só para efeito de comparação, quando George Washington morreu, demorou dias para a Europa saber que ele, o Jorge, tinha juntado as botas. E toda essa conectividade tem prós e contras, não sei se tem mais prós ou contras.

Mas tenho a ligeira impressão que perdemos o ponto. Passamos do limite do aceitável. Não fomos nós, brasileiros, que inventamos o Big Brother, mas saiu daqui o “Ai se eu te pego”. Nada contra o Teló, muito pelo contrário. Assim como Carmem Miranda, Jobim, Sepultura e Villa Lobos ganharam o mundo, ele também pode muito bem fazer sucesso. E deve! Só que…

A idiotice hoje é universal.

Pare e pense, compare. Tá bom, você não conhece o Sepultura. Você acha que é uma gritaria só. Mas nessa gritaria tem palavras de ordem, de protesto, de respeito ao próximo. Adoro o Sepultura por isso, por War For Territory, pela técnica de tocar bateria desenvolvida por Igor Cavalera (único a tocar da forma que ele toca, por isso eleito entre os top 5 maiores bateristas de todos os tempos do mundo, e isso ninguém divulga aqui porque o brasileiro não sabe bem o que significa a palavra técnica). O Teló é só entretenimento e é divulgado o tempo todo que ele é sucesso em mais de 300 países (sacanagem da minha parte, a ONU reconhece 203 países). Mas todo mundo sabe quem é o guitarrista do Sepultura, o Andreas Kisser. Arroz de festa, toca com todo mundo que convida ele. Desde Roberto Carlos a Faustão. Eleito um dos melhores guitarristas brasileiros. E depois perguntam o porquê de eu gostar do Sepultura.

Preciso falar do Villas Boas? Quer que eu esculache?

Mais uma vez, nada contra o Teló.

Enfim, os valores estão invertidos ou não? Será que um cara que desenvolve uma nova técnica de tocar um instrumento tem menos valor que o outro que canta uma música agradável e com uma letra pra lá de sugestiva? Obviamente o Sepultura não é agradável aos ouvidos da maioria da população brasileira. Mas não podemos dizer o mesmo fora daqui.

Já que é tudo universal e possível, podemos dizer que um comissário de prova na Fórmula Um prejudicou um piloto brasileiro porque o piloto reserva da equipe do brasileiro é compatriota do comissário?

E essas insinuações baratas acontecem o tempo todo durante a transmissão das provas. E ficaria feliz se a emissora oficial e o locutor oficial fizesse isso só na transmissão da prova.

E sobre tais insinuações já dá para levantar algumas situações ridículas.  Pego como exemplo o tal de UFC? O que que é isso? Campeão do mundo do UFC! Que esporte é esse?

MMA, dirão os mais apressadinhos.

Não conheço.

Esporte mistura técnica e estratégia.  Lembro-me bem de quando lutava judô. Sair correndo e socando o “inimigo” qualquer um faz. Ninguém nunca falou que ia passar a mão na bunda da minha mãe ou da minha namoradinha. Nem na minha! Muito pelo contrário. Rivalidade sempre existiu, e grandes rivalidades. Inclusive entre academias, mas dentro do tatame. Fora dele, respeito mútuo, até por aquele que sempre perdia. Sempre prevaleceu o clima de amizade, embora não éramos grandes amigos. Um queria derrotar o outro! E isso fez com que nossas famílias se conhecessem melhor, inclusive. Nessa época tínhamos adversários, nunca inimigos. Adversários de tatame.

Nunca vi Senna falar que ia comer a mulher do Prost e nunca vi Piquet falar que Mansell era filho de uma… Só falou que a mulher dele era muito feia e que nunca pegaria ela. Só isso!

Acredito de Senna, Prost, Mansell e Piquet foram melhores e maiores, esportistas e pessoas, do que qualquer “lutador” ou “gladiador do novo milênio”. Acredito que qualquer piloto hoje e ontem, qualquer pessoa em sua sã consciência, é uma pessoa melhor do que esses caras.

Ah, para quem gosta, uma das bonitonas de a “Fazenda” falou que esta com doença venérea.

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Uma resposta para Qual é o limite?

  1. Clarice disse:

    Eu sempre te disse que voce deveria voltar a escrever o blog , e a cada vez que venho aqui e leio algo , fico muito feliz em ver todo o seu talento sua dedicação e paixão com a qual escreve.
    Desejo que nunca pare de postar essa sua paixão e toda sua inteligencia e sagacidade.

    Mil sucessos !

    Da sua leitora nº 1

    Clarice.

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