O futuro da Fórmula Um passou por aqui.

São Paulo, 13 de novembro de 2016. Nessa data foi realizado o melhor GP da F1 da temporada e, com certeza, uma das melhores corridas das últimas temporadas.

As equipes sofreram com um clima temperamental, que simplesmente ditou o ritmo da corrida. E separou os bons pilotos daqueles que não tem nada para colocar pra fora da caixa.

Brilhou a jovem estrela da companhia, Verstappen, que não tinha o melhor equipamento do campeonato. E colocou em evidência alguns pilotos, como Nasr e Ocon, que competiam por equipes do fundo do grid, mas que demonstraram grande talento naquelas condições extremas ao segurar pilotos mais gabaritados e com melhores equipamentos.

 

F1 Grand Prix of Brazil

Verstappen deu show em Interlagos

 

Portanto, a chuva e o talento dos pilotos mencionados foram parte determinantes para o sucesso de crítica do GP brasileiro. E esse sucesso é que tem que ser estudado. É até óbvio, mas a nova dona da F1 tem que fazer com que isso aconteça mais vezes se quiser tornar a F1 um sucesso de crítica e público novamente.

Não estou dizendo que tem que haver chuva artificial, como sugeriu Bernie há algum tempo. Estou falando que tem que colocar os pilotos novamente como ponto importante do espetáculo. Dar condições aos pilotos de definirem uma ultrapassagem, de andarem no limite, de terem um mínimo de capacidade de se segurar na frente dos seus concorrentes.

Para início de conversa, tem que acabar com a asa móvel. Se o cara for bom e o carro permitir, uma hora ele consegue suplantar seu oponente. Se um piloto tem um equipamento melhor, mas por algum motivo não consegue ultrapassar o cara que vai na frente, problema é dele. Se a equipe não deu um equipamento suficientemente bom para realizar ultrapassagens, a culpa não é de quem esta na frente. Alguns até podem questionar que voltaríamos a ter procissões, mas e daí? Faz parte do esporte. Alonso passou vergonha por não conseguir ultrapassar um Petrov e Gilles fez história com sua Ferrari em 1981, quando o equipamento italiano era inferior e ele segurou todos atrás dele em Jarama. Entenderam o ponto?

 

petr_alon_webb_abud_2010

Petrov segurou Alonso durante todo o GP de Abu Dhabi 2010

 

O botão de booster pode até existir, desde de que o piloto possa usá-lo em qualquer parte do circuito, a qualquer momento. Serve tanto para ultrapassar, quanto para defender a posição. Vai depender da inteligência do piloto de como e quando utilizá-lo.

Acabar com esse negócio de usina de força. Carros de corrida tem motores que queimam algo. Deixem para a FE a eletricidade. A F1 não precisa disso e quem assiste não quer isso. Quem assiste a F1 quer motores barulhentos, que rugem e cospem fogo. Coisa simples, que qualquer montadora ou oficina especializada faz. Os regulamentos tem que deixar as portas abertas para a criatividade, dando oportunidade para a criação de motores distintos nas cilindradas, com turbo, sem turbo, mais leves, mais potentes e, ao mesmo tempo, que busquem economia, pois a diferença de peso de combustível, tamanho e peso dos motores fazem toda a diferença no consumo de pneus e na dinâmica do carro.

Num final de semana, apenas um tipo de pneus. Se um carro ou piloto gasta mais pneus, problema deles. Todo mundo de borracha igual.

Distribuir melhor a grana. Dar mais espaço para as equipes pequenas e médias para que seus patrocinadores apareçam mais durante a cobertura, pois são as que mais sofrem e são a porta de entrada para grandes talentos. E não estou falando somente de pilotos, estou falando de engenheiros, mecânicos, técnicos, designers e todo o tipo de profissional envolvido no esporte. Com pouca grana eles brilham, terão oportunidade de desenvolver novas tecnologias, encontrarem novos caminhos para a soluções de problemas. Sem grana, só se fizer milagre para aparecer.

 

Motor Racing - Formula One Testing - Test One - Day 2 -  Barcelona, Spain

A superioridade da Mercedes não vem só dos motores.© Copyright: Bearne / XPB Images

 

Com uma melhor distribuição poderemos ter equipes menores desenvolvendo tecnologias que só as equipes mais endinheiradas podem desenvolver de modo pleno.

O GP do Brasil de 2016 mostrou ao mundo que, através de um clima louco, equalizou mais ou menos as forças e deu a chance de vários pilotos e equipes brilharem. A chuva deu pneus iguais para todos, tirou a porcaria da asa móvel, tirou um pouco a diferença técnica entre as equipes e nos presenteou com um grande espetáculo.

Só faltou chover dinheiro para as equipes menores.

Abraços.

 

 

 

 

Anúncios
Esse post foi publicado em Esportes. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s